Estabelecendo relações
entre o AEE e o texto “O modelo dos modelos” de Italo Calvino
A proposta
de integração das pessoas com necessidades especiais ao sistema de ensino era
uma forma condicional de inserção que dependeria da capacidade do aluno em
adaptar-se ao sistema escolar, seja em sala regular, especial ou em instituição
especializada. O estabelecimento de padrões de normalidade e adequação através
do uso de formas padronizadas de aferição de desempenho com relação ao alcance
de objetivos previamente definidos, possibilitava a classificação dos alunos
mediante aferimento de capacidade. Essa busca pela homogeneidade considerava a
resposta desigual à padronização, como desvio individual da norma. Dessa forma,
só restava a alternativa de segregação desses alunos considerados inaptos a
continuarem no sistema de ensino.
Na perspectiva da educação inclusiva, a educação
especial passa a interagir a proposta pedagógica da escola regular, promovendo
o atendimento às necessidades especiais de alunos com deficiência, pois a
tarefa de educar na perspectiva inclusiva exige, antes de tudo, a crença
irrestrita na capacidade humana de aprender sempre, ainda que em ritmos e de maneiras diferentes.
Sendo assim a escola precisa responder ás
necessidades dos alunos possibilitando um currículo comum que ofereça respostas
individualizadas ás dificuldades que se apresentam no processo de ensino, com
vistas a proporcionar um ambiente de aprendizagem que capacite a todos para o
êxito, apesar das diferenças.
Partindo da realidade que não existe alunos
iguais, ou seja, salas homogêneas, onde todos aprendem ao mesmo tempo e têm as
mesmas necessidades, o que se considera importante é que todos possam ter as
mesmas oportunidades de vivenciar experiências e acessar informações para
então, individualmente, construir conhecimentos, de acordo com suas
experiências pessoais e habilidades e que façam isto juntos, como é próprio do
ambiente escolar inclusivo.
No AEE, o professor irá identificar, elaborar e
organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade, oferecendo novas
possibilidades e plena participação dos alunos, considerando suas necessidades
específicas. Nesse espaço o aluno terá oportunidades de descobrir, criar, renovar
e de desenvolver-se, pois cada aluno tem um pensamento, desejo e necessidades
distintas que tornam únicos, e que requer atendimento diferenciado, com
objetivo de suprir as suas necessidades. São pessoas que pensam, raciocinam e
que precisam, como as demais, de uma escola que explore suas potencialidades,
em todos os sentidos. O AEE, deve ser visto como construção e reconstrução de
experiências e vivências conceituais, em que a organização do conteúdo
curricular não deve estar pautada numa visão linear, hierarquizada e fragmentada
do conhecimento. O conhecimento precisa ser compreendido como uma teia de
relações, na qual as informações se processam como instrumento de interlocução
e de diálogo.
A resposta da escola ao atendimento às necessidades
educacionais especiais dos alunos com deficiência só será possível mediante
mudanças que possibilitem sua organização para eliminação das barreiras
atitudinais, pedagógicas, de comunicação, entre outras.
Se lhes forem criados ambientes propícios para
desenvolverem o seu potencial, as marcas do déficit, da falta, da falha e da
deficiência serão secundarizadas e será exaltado o seu potencial humano.
A escola deve transforma-se e assumir a função de
educar a todos, reconhecendo e valorizando as diferenças de seus alunos, como
um fator de enriquecimento no contexto educacional.
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