domingo, 9 de março de 2014

A Educação Escolar de Pessoas com Surdez



A Educação Escolar de Pessoas com Surdez

Uma nova política de Educação Especial na perspectiva inclusiva, principalmente para pessoas com surdez, tem se tornado promissora no ambiente escolar e nas práticas  sociais/institucionais. Porém, ainda há, principalmente no ambiente escolar, muitas questões e desafios para serem discutidos e analisados, para que , realmente, as práticas de ensino e aprendizagem na escola comum pública e também privada apresentem caminhos consistentes e produtivos para a educação de pessoas com surdez.
Não podemos ver a pessoa com surdez como o deficiente, pois o que ele apresenta é perda sensorial auditiva, ou seja possui surdez, o que a limita biologicamente para essa função perceptiva.  No entanto, há toda uma potencialidade do corpo biológico humano e da mente humana que canalizam e interagem os outros processos perceptuais, tornando essa pessoa capaz, como ser de consciência, pensamento e linguagem, não negligenciando o potencial e a capacidade notórias e visíveis que elas possuem, pois são pessoas que pensam, raciocinam e que precisam, como as demais, de uma escola que explore suas capacidades, em todos os sentidos.
Segundo Hall (2006), isso nos faz pensar num sujeito com surdez não reduzido ao chamado mundo surdo, com a identidade e a cultura surda, mas numa pessoa com potencial a ser estimulado e desenvolvido nos aspectos cognitivos, culturais, sociais e linguísticos, pois a concepção de pessoa com surdez descentrada se caracteriza pela diferença, que, sob a força de divisões e antagonismos, leva a pessoa descentrada a ser deslocada e a assumir diferentes posições e identidades.
 O problema da educação das pessoas com surdez não pode continuar sendo centrado nessa ou naquela língua, mas deve levar-nos a compreender que o foco do fracasso escolar não está só nessa questão, mas também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas. Ê necessário construir um campo de comunicação e interação amplo, possibilitando que as línguas tenham o seu lugar de destaque, mas que não sejam o centro de tudo o que acontece nesse processo.
A atenção deve estar centrada, primeiramente, no potencial natural que esses seres humanos têm, independente de deficiência, diferenças, limites ou mesmo do marcador surdo. Sendo assim, o AEE PS, na perspectiva inclusiva, estabelece como ponto de partida a compreensão e o reconhecimento desse potencial e das capacidades desse ser humano, priorizando o seu pleno desenvolvimento e aprendizagem. As diferenças desses alunos serão respeitadas,  de acordo com a obrigatoriedade  dos dispositivos legais, que determinam o direito de uma educação bilíngue, em que Libras e Língua Portuguesa escrita constituam línguas de instrução no desenvolvimento de todo o processo educativo.
O AEE PS tem como função organizar o trabalho complementar para a classe comum, com vistas à autonomia e à independência social, afetiva, cognitiva e linguística da pessoa com surdez na escola e fora dela. È necessário pensarmos nesse atendimento, na perspectiva  em que o ato de um professor transformar sua prática pedagógica, conectando teoria e prática, a sal de aula comum e o AEE, numa visão complementar, sustenta-se a base do fazer pedagógico desse atendimento.
 
Referências  Bibliográficas

DAMÁSIO, M. F. M.; FERREIRA, J. de P., Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento educacional especializado em construção. Revista Inclusão: Revista da Educação Especial. Brasília-DF, v.5, n.1, p.46-57, 2010.
DAMÁSIO, Mirlene F. M., Atendimento Educacional Especializado Pessoa com Surdez. SEESP/SEED/MEC, Brasília-DF, 2007.