O QUE DIFERENCIA A
SURDOCEQUEIRA DA DMU
A
surdocegueira é uma terminologia adotada mundialmente para se referir a pessoas
que tem perdas visuais e auditivas concomitantes em graus diferentes. É uma
deficiência única e especial que requer métodos de comunicação especiais, para
viver com as funções da vida cotidiana. A
surdocegueira pode ser: congênita, quando a criança nasce surdocega ou adquire
a surdocegueira nos primeiro anos de vida antes da aquisição de uma língua
(português ou Libras – Língua brasileira de Sinais), um exemplo mais frequente
destes casos é a criança com sequelas da síndrome da rubéola congênita, e a
surdocegueira adquirida, quando a pessoa ficou surdocega por diferentes
fatores, após a aquisição de uma língua, seja oral ou sinalizada.
O
termo deficiência múltipla tem sido utilizado, com frequência, para
caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física,
sensorial, mental, emocional ou comportamento social. Porém de acordo com o MEC
2006, não é o somatório dessas alterações que caracterizam a múltipla
deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais,
de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as
necessidades educacionais dessas pessoas.
Segundo
Nunes (2002), as necessidades básicas das pessoas com deficiência múltipla,
podem ser agrupadas em três blocos, físicas e médicas, emocionais e educativas.
A criança precisa de oportunidades de interagir com o meio e com o outro, para
desenvolver relações sociais e efetivas. Para Bosco, Maia, Mesquita (2010), uma
das necessidades específicas da pessoa com surdocegueira ou deficiência
múltipla “É que ela possa se auto perceber e perceber o mundo exterior, devemos
buscar a verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização
de seu movimentos, e o desenvolvimento da força muscular”.
Na deficiência múltipla nem todas as informações podem
chegar até a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos
canais distantes (visão e ou audição) como ponto de referência, esses dois
canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao
longo da vida. A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocego não
recebe as informações e o que está sua volta de maneira fidedigna, ela precisa
da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe
cerca, seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais
proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e
vestibular. É importante ressaltar que as pessoas com surdocegueira não são
classificadas como múltiplas, pois quando elas têm oportunidades interagem com
o meio e com as pessoas adequadamente.
Para que haja uma interação harmoniosa, é
indispensável que se estabeleça rotinas organizadas e uma comunicação de alta
qualidade, a qual pode ser receptiva e expressiva, para favorecer a eficiência
da transmissão e da interpretação. A comunicação receptiva acontece quando uma
pessoa recebe e processa a informação dada por meio de uma fonte e forma (
falada, escrita, Líbras, etc), e informação recebida pode ser por meio de uma
pessoa, rádio, TV, objetos, figuras ou por variedades de fontes e formas. Porém
a comunicação receptiva exigi que a pessoa que está recebendo a informação
forme uma interpretação que seja equivalente com a mensagem de quem enviou
tentou transmitir.
Algumas estratégias podem ser trabalhadas
para a aquisição de comunicação tanto para as pessoas com deficiência múltipla
como surdocegueira, o uso de objetos reais é uma possibilidade que consiste em
interpretar uma atividade, ação ou situação por meio de um objeto, que adquire
um valor simbólico, onde a criança pode compreender e expressar as intenções
comunicativas, o uso de pranchas de comunicação, através de texturas e formas,
uso de calendários para auxiliá-los na compreensão de conceitos pouco
entendidos por elas.
É
preciso desenvolver atividades de maneira multissensorial para garantir
aproveitamento de todos os sentidos e que sejam atividades que proporcionem uma
aprendizagem significativa com oportunidades de generalizar para outros
ambientes e pessoas. Seu tempo de resposta deve ser respeitado e a habilidade
de fazer escolhas deve estar dentro de suas atividades programadas.
REFERÊNCIAS:
Aspectos
Importantes para Saber Sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla
Autora: Prof. Dra. Shirley Rodrigues Maia, São Paulo (2011)
Deficiência
Múltipla Sensorial: Vula Maria Ikonomidis



