sexta-feira, 18 de abril de 2014



O QUE DIFERENCIA A SURDOCEQUEIRA DA DMU
 
                                      
                                            

 
 
 
A surdocegueira é uma terminologia adotada mundialmente para se referir a pessoas que tem perdas visuais e auditivas concomitantes em graus diferentes. É uma deficiência única e especial que requer métodos de comunicação especiais, para viver com as funções da vida cotidiana.  A surdocegueira pode ser: congênita, quando a criança nasce surdocega ou adquire a surdocegueira nos primeiro anos de vida antes da aquisição de uma língua (português ou Libras – Língua brasileira de Sinais), um exemplo mais frequente destes casos é a criança com sequelas da síndrome da rubéola congênita, e a surdocegueira adquirida, quando a pessoa ficou surdocega por diferentes fatores, após a aquisição de uma língua, seja oral ou sinalizada.
O termo deficiência múltipla tem sido utilizado, com frequência, para caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial, mental, emocional ou comportamento social. Porém de acordo com o MEC 2006, não é o somatório dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.
Segundo Nunes (2002), as necessidades básicas das pessoas com deficiência múltipla, podem ser agrupadas em três blocos, físicas e médicas, emocionais e educativas. A criança precisa de oportunidades de interagir com o meio e com o outro, para desenvolver relações sociais e efetivas. Para Bosco, Maia, Mesquita (2010), uma das necessidades específicas da pessoa com surdocegueira ou deficiência múltipla “É que ela possa se auto perceber e perceber o mundo exterior, devemos buscar a verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de seu movimentos, e o desenvolvimento da força muscular”.
Na deficiência múltipla nem todas as informações podem chegar até a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou audição) como ponto de referência, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida. A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocego não recebe as informações e o que está sua volta de maneira fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca, seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular. É importante ressaltar que as pessoas com surdocegueira não são classificadas como múltiplas, pois quando elas têm oportunidades interagem com o meio e com as pessoas adequadamente.
Para que haja uma interação harmoniosa, é indispensável que se estabeleça rotinas organizadas e uma comunicação de alta qualidade, a qual pode ser receptiva e expressiva, para favorecer a eficiência da transmissão e da interpretação. A comunicação receptiva acontece quando uma pessoa recebe e processa a informação dada por meio de uma fonte e forma ( falada, escrita, Líbras, etc), e informação recebida pode ser por meio de uma pessoa, rádio, TV, objetos, figuras ou por variedades de fontes e formas. Porém a comunicação receptiva exigi que a pessoa que está recebendo a informação forme uma interpretação que seja equivalente com a mensagem de quem enviou tentou transmitir.
Algumas estratégias podem ser trabalhadas para a aquisição de comunicação tanto para as pessoas com deficiência múltipla como surdocegueira, o uso de objetos reais é uma possibilidade que consiste em interpretar uma atividade, ação ou situação por meio de um objeto, que adquire um valor simbólico, onde a criança pode compreender e expressar as intenções comunicativas, o uso de pranchas de comunicação, através de texturas e formas, uso de calendários para auxiliá-los na compreensão de conceitos pouco entendidos por elas.
É preciso desenvolver atividades de maneira multissensorial para garantir aproveitamento de todos os sentidos e que sejam atividades que proporcionem uma aprendizagem significativa com oportunidades de generalizar para outros ambientes e pessoas. Seu tempo de resposta deve ser respeitado e a habilidade de fazer escolhas deve estar dentro de suas atividades programadas.
 
                 
 


 
 

REFERÊNCIAS:

Aspectos Importantes para Saber Sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla

Autora: Prof.  Dra. Shirley Rodrigues Maia, São Paulo (2011)

Deficiência Múltipla Sensorial: Vula Maria Ikonomidis